O primeiro dia do resto das nossas vidas
Pessoas que há meses não falavam com você deixam um recado “carinhoso” em alguma rede social. Depois somem por mais outros tantos meses. Faz parte.
Essa onda de carinho, mesmo que seja pontual e às vezes apenas formal, faz esse dia ser mais interessante.
Não gosto de comemorar meu aniversário, coisa minha, mas tem gente que ama, que celebra o mês todo. Até que chega o grande dia, com festa, bolo, presentes e convidados... mas não é exatamente disso que eu quero falar. O que eu quero falar e refletir hoje é sobre o dia seguinte.
Você já teve aquele pequeno vazio do dia seguinte? Sabe, quando a gente chega de uma viagem maravilhosa, depois do dia da formatura, depois do aniversário ou qualquer outro evento, principalmente se havia grande expectativa... o grande dia acontece e... a vida continua no dia seguinte.
Mesmo depois de grandes tragédias, e tristezas. Lembro do dia depois da morte da minha mãe, do meu pai. Meses de cuidados, semanas no hospital, expectativas, pequenas melhoras... a morte. E a correria, documentação, velório, cemitério, pessoas com abraços e palavras desajeitadas de consolo (o que se fala numa hora dessas?). Ai você acorda no dia seguinte e... a vida continua lá, no mesmo lugar. Como lhe dar com isso?
Tem um filme antigo, de 1985, que eu gosto muito, que se chama O Primeiro do Resto de Nossas Vidas. Conta a história de sete adolescentes que ficam em suspensão na escola por um dia, com perfis completamente diferentes, passam por situações de conflito entre si, até que desenvolvem o início de uma amizade dentro daquele contexto específico. Mas o Nerd da turma questiona se essa “amizade” existiria no dia seguinte.
O dia seguinte desses dias especiais que vivemos nos lembram que a maior parte dos nossos dias são comuns. As atividades no trabalho, as tarefas da casa, contas pra pagar, roupas e louça pra lavar, trânsito ou transporte público etc.
É o assustador e muitas vezes entediante cotidiano que nos espera. Por isso talvez venha esse vazio, essa “depressão” (uso essa palavra com muita cautela) que a gente sente.
Mas, depois de dias especiais, das grandes conquistas, vem o dia a dia, cansativo, monótono, tediosos. Não sei. Mas é ali que a vida realmente acontece. Onde plantamos nossos sonhos e desejos, onde sentimos as necessidades do corpo e da alma e onde construímos (e essa palavra é importante) a nossa vida e quem nós realmente somos.
Precisamos valorizar o dia a dia, não romantizar, é claro. Nem todos os dias serão bons, nem todos os dias serão especiais, a maioria será comum (e isso é bom). Se todos os dias fossem “especiais”, acabaria sendo cansativo e, na verdade, nenhum seria de fato especial. Também não é todos os dias que temos grandes tragédias e lutas enormes (graças a Deus). Temos as coisas diárias da vida comum, e isso também é um respiro pra alma. Acredito que uma das melhores formas de vivermos esses dias é simplesmente estar ali, viver cada momento.
Interagir com as pessoas, ouvir histórias no trem, colocar aquela música que coloca a gente pra cima enquanto está dirigindo, ou curtir o silêncio do percurso. Saborear aquele café ou aquele lanchinho, por mais simples que seja... também respeitar os seus sentimentos, se tiver uma tristeza, sinta, chore, deixe ela fazer um pouco de companhia, mas reflita sobre o que está sentindo, só não a deixe fazer morada em você... assim também com o tédio, com a irritação. A gente fica irritado, é normal, mas não é a raiva, a ira e a irritação que devem nos guiar. Podem servir como impulso, quem nunca fez algo impulsionado pela força do ódio, né. E foi, deu certo. Mas é uma energia perigosa e autodestrutiva se fica muito tempo em nós.
E, por fim, na minha vida e na minha prática, entregar cada dia a Deus, em oração e consagração. Tenho procurado fazer essa a minha prática diária, com leitura da Bíblia, meditação, oração, leituras complementares e por ai vai. Tem dias que falho miseravelmente, mas na maioria dos dias tenho feito isso e tem sido muito bom.
Esse é o meu compartilhar, minhas reflexões sobre o dia seguinte, ou o primeiro dia do resto das nossas vidas. E você, como encara o dia a dia, ou os dias seguintes de pois de grandes acontecimentos em sua vida?
Me conta aí nos comentários, quero muito saber de você.
Falei um pouco sobre isso no meu canal: https://www.youtube.com/channel/UCNH3bbB1hsZtbdry3jEP9tA
Um grande abraço.
Comentários
Postar um comentário