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“Pessoas especiais morrem aos domingos”

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  “Pessoas especiais morrem aos domingos” , minha mãe sempre falava. [na foto, minha mãe simplesmente sendo ela mesma e feliz por isso] Ela sempre foi muito independente. Tinha suas atividades na igreja, cuidava dos meus tios, que são surdos, tinha suas amigas, amava comer coxinha na Padaria Brasileira. Sempre ia aos médicos sozinha. Era muito sociável. Era impossível passar por algum lugar e não fazer uma amiga ou amigo, mas mesmo assim não gostava que a acompanhassem ao médico. Por isso estranhamos quando nos avisou que precisávamos ir juntos ao hospital, ela, eu e meu pai. Fora pedido do médio. Parece clichê, mas no início não entendemos muito bem o que estava acontecendo. Nada fazia sentido. Estranhos os nomes, as descrição anatômicas, prognósticos, as palavras terminadas com “omas”..., mas tudo desapareceu ao ouvirmos a palavra CÂNCER. O médico queria interná-la naquele momento e operar imediatamente, mas tínhamos que esperar os resultados de outros exames que sair...

O primeiro dia do resto das nossas vidas

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O dia do aniversário, pra mim, é um dia estranho. De repente, por alguns instantes, você vira o centro das atenções, recebe mensagens, às vezes até ganha presentes simplesmente por ter nascido. Pessoas que há meses não falavam com você deixam um recado “carinhoso” em alguma rede social. Depois somem por mais outros tantos meses. Faz parte. Essa onda de carinho, mesmo que seja pontual e às vezes apenas formal, faz esse dia ser mais interessante. Não gosto de comemorar meu aniversário, coisa minha, mas tem gente que ama, que celebra o mês todo. Até que chega o grande dia, com festa, bolo, presentes e convidados... mas não é exatamente disso que eu quero falar. O que eu quero falar e refletir hoje é sobre o dia seguinte . Você já teve aquele pequeno vazio do dia seguinte? Sabe, quando a gente chega de uma viagem maravilhosa, depois do dia da formatura, depois do aniversário ou qualquer outro evento, principalmente se havia grande expectativa... o grande dia acontece e... a vida continua n...

Era uma Igreja muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada...

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Fui ensaiar ontem o coro da Igreja Metodista em Rudge Ramos. Fazia um tempinho que não passava pelo bairro durante a semana. Na última vez que passei, ao redor da Universidade Metodista, estava tudo quieto e vazio. Lembrei dos velhos tempos, muita agitação, carros, jovens por todos os lados. Parecia que o coração do bairro tinha parado de bater. Talvez a universidade não seja propriamente o coração de Rudge Ramos, mas certamente é um órgão muito importante que traz (trazia?) vida e movimento ao bairro. Um órgão que ainda não está morto, mas está muito doente, e isso dói em mim. Da mesma forma a Universidade Metodista, principalmente a Faculdade de Teologia, é um órgão vital na vida da Igreja Metodista. Essa também muito adoecida. Feririam seu coração, a FaTeo, responsável pela formação essencial da vida da Igreja: a formação de seus pastores e pastoras. O colégio dos bispos encontra-se esvasiado, ou seja, a Igreja está com o coração doente e o cérebro aparentemente inoperante. Pessoalm...

Chamados a compartilhar a fé, mas não a convencer ninguém.

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Os evangelhos contam a história de um jovem que era rico. Esse jovem era um verdadeiro cidadão de bem: cumpria as leis e todos os preceitos da religião, era um bom rapaz. Você pode ler essa história em Mateus 19: 16 a 23 (mas vale a pena ler até o versículo 30) e em Lucas 18: 18 a 30 e também em Marcos 10: 17 a 22. Um dia esse jovem encontrou com Jesus, o chamou de bom mestre e perguntou o que ele devia fazer para entrar no reino dos céus. A primeira resposta de Jesus foi: Porque você me chama de bom? Só tem um que é bom. Que desbaratinada de Jesus, não é? E Jesus acrescenta “para entrar no reino, obedeça aos mandamentos”. A resposta foi simples e direta, não é? Mas o jovem gente boa resolve perguntar: quais mandamentos? Jesus faz um resumão da lei e responde: “Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe e Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. O cara reponde que já está fazendo tudo isso, mas perguntou se faltava alguma coisa. Ser...

Oi, tudo bem?

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Uma vez ouvi um pastor falar sobre essa simples pergunta: tudo bem? Na verdade ele reclamou das pessoas que acabam respondendo com sinceridade, em meio a piadas, chamando de chatas e desagradáveis aquelas que ousavam ir além do “tudo bem sim”. A congregação, como plateia de um show stand up, ria e concordava. Eu fiquei incomodado. Se um pastor, cuja função seria ajudar as pessoas, reclama e zomba de quem acredita que poderia confiar a ponta de dizer que às vezes as coisas não estão bem, imagine o restante das pessoas? Foi decretado oficialmente o abafamento de qualquer sentimento, a exaltação das aparências, a opção pela não humanidade. Sim, a gente acha chato quem se abre conosco. Se alguém vem contar algum problema, já fazemos questão de contar um maior ainda para a pessoa se tocar que não é somente ela que sofre, então fechamos a porta do diálogo e vamos vivendo nossas dores solitariamente. É claro que não vamos despejar nossa vida a qualquer hora e a qualquer mo...

Estamos todos na via Anchieta.

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Semana difícil, não o “difícil” por ter mil coisas pra fazer ou contas pra pagar, difícil porque cheia de perdas, morte de um bebê, morte de um jovem, morte de um vovô, amigos doentes... Mas, sentado no balcão da pizzaria, chega meu amigo/irmão Tiago e, nessas conversas que a gente tem no fim de um dia puxado, ele diz: o que vivemos aqui é uma parte muito pequena do que iremos viver depois. É como se estivéssemos na via Anchieta esquecendo que v amos passar as férias inteiras na praia. Que maravilhosa essa comparação. Lembrei das vezes que íamos pra praia. Nos feriados a estrada era um verdadeiro inferno. Tinha tanta coisa pra dar errado, que no fim era divertido. Um pouco como a vida. A vida é assim. Pegamos alguns trechos que tudo vai bem, estrada boa, sem trânsito, tempo bom. De repente o tempo muda, aparecem buracos na pista, muitas curvas e o interminável congestionamento... mas, isso tudo passa. Não é na estrada que vamos ficar. Ela não é o destino. Mesmo quando tudo va...

Entre a Construção e Desconstrução e as dores humanas na sociedade

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Tiago Iorc surpreendeu com sua música Desconstrução e o diálogo óbvio com a Construção de Chico Buarque, e em ambas vemos as tragédias e indiferenças que marcam a modernidade, tanto no âmbito pessoal como social e cultural. Além da distância temporal entre as duas composições, há uma distância social, mas há um diálogo entre elas. A semelhante na construção da letra como a melodia, há uma "desconstrução" nos últimos versos, uma brincadeira, uma proposital nos adjetivos e substantivos, gerando novos significados àquelas palavras (ambos os artistas usam esse dispositivo). Cada um coloca as dores do seu tempo e de sua classe social. Infelizmente nossa sociedade ainda não superou a realidade mostrada por Chico Buarque, mas vê nascer novas formas de sofrimento, que na verdade estão arraigadas nas necessidades básicas da humanidade: aceitação, valoração, pertença, respeito e... amor. Ambas, de certa forma, apontam para as dores da sociedade de consumo. A música "Co...